domingo, 24 de julho de 2016

Entrevistas históricas: William Burroughs entrevista David Bowie. E vive-versa

Do blog Socialista Morena

William Burroughs entrevista David Bowie. E vive-versa publicado em 2013.
David Bowie faleceu nesse ano (10 de janeiro), ele lutava contra um câncer havia 18 meses.
Bowie e Bill na Rolling Stone, em foto de Terry O’Neill ao lado.
5/2/2014 William Burroughs completou cem anos.


Aqui  post original.

Burroughs: você faz todo o design de seu trabalho?
Bowie: Sim, tenho total controle. Não deixo ninguém fazer nada porque acho que posso fazer coisas melhores para mim. Não quero deixar outras pessoas brincarem com o que eles acham que estou tentando fazer. Não gosto de ler coisas que as pessoas escrevem a meu respeito. Prefiro ler o que os jovens dizem sobre mim, porque não é a profissão deles fazer isto.
As pessoas olham para mim para ver o que é o espírito dos 1970, ou pelo menos 50% disso. Não entendo os críticos. Eles são intelectualizados demais. Não são muito versados na linguagem da rua; têm que se esforçar para fazer isso. Têm que recorrer a dicionários para falar assim.
Frequentei escola de classe média, mas minha origem é de classe trabalhadora. Tenho o melhor de ambos os mundos, conheci ambas as classes, então tenho uma ideia bastante justa de como as pessoas vivem e por que fazem isso. Não posso colocar isso muito bem em palavras, mas tenho o feeling. Não sobre as classes altas. Quero encontrar a rainha e então veremos. Como você vê a maneira como as pessoas o retratam?
Burroughs: Eles tentam classificar você. Querem ver o retrato deles de você e se não o vêem ficam muito preocupados. Escrever é ver o quão próximo se pode chegar do que irá acontecer, este é o tema de toda a arte. O que mais eles acham que o homem realmente quer, um pastor em uma missão em que não acredita? Acho que a coisa mais importante do mundo seria que os artistas pudessem tomar conta deste planeta, porque são os únicos capazes de fazer alguma coisa acontecer. Por que devemos deixar estes políticos fodidos das notícias nos governarem?
Bowie: Eu mudo muito de opinião. Normalmente não concordo muito com o que digo. Sou um grande mentiroso.
Burroughs: Eu também.
Bowie: Não sei se é porque eu mudei de opinião ou se minto muito mesmo. Um pouco dos dois. Não é exatamente mentir, mudo de opinião o tempo todo. As pessoas estão sempre jogando na minha cara coisas que eu disse e eu digo que não significam nada. Você não pode pensar do mesmo jeito a vida toda.
Burroughs: Somente políticos fazem isso. Pegue um cara como Hitler, ele nunca mudou de idéia.
Bowie: Nova Express realmente me lembrou Ziggy Stardust, que vou transformar em uma performance teatral. Há quarenta cenas e seria legal se os atores decorassem as falas e nós as embaralhássemos em um chapéu na tarde da performance e eles atuassem na ordem em que as cenas fossem tiradas do chapéu. Aprendi isso com você, Bill. Assim seria diferente toda noite.
Burroughs: É uma ideia muito boa, cut-up visual em uma sequência diferente.
Bowie: Eu me entedio facilmente e isso poderia renovar a energia. Sou meio old school, acho que quando artistas fazem seu trabalho já não pertence a eles… Eu vejo o que as pessoas fazem dele. Daí por que a produção de Ziggy Stardust para a TV terá que exceder as expectativas do público sobre o que eles pensam que Ziggy era.
Burroughs: Você poderia explicar sua imagem de Ziggy Stardust? Pelo que eu vejo tem a ver com o mundo às vésperas da destruição.
Bowie: O tempo é cinco anos antes do fim do mundo. Tem sido dito que o mundo acabará por causa da escassez de recursos naturais. Ziggy está numa posição em que todos os garotos têm acesso a coisas que pensavam que queriam. As pessoas mais velhas perderam todo o senso de realidade e os garotos foram deixados por conta própria para pilhar qualquer coisa. Ziggy estava numa banda de rock e os garotos não querem mais rock and roll. Não há eletricidade para tocar. O assistente de Ziggy diz a ele para coletar notícias e cantá-las, porque não há notícias. All the young dudes é uma canção sobre estas notícias. Não é um hino à juventude como as pessoas pensaram, é o exato oposto.
Burroughs: De onde veio essa idéia de Ziggy, e dos cinco anos? Claro, a exaustão dos recursos naturais não irá dar no fim do mundo. Isso resultará no colapso da civilização e irá reduzir a população em três quartos.
Bowie: Exatamente. Isto não causa o fim do mundo para Ziggy. O fim vem quando os infinitos chegam. Eles são de fato um buraco negro, mas eu os transformei em gente porque seria muito difícil explicar um buraco negro no palco.
Burroughs: Sim, um buraco negro no palco teria um custo inacreditável. E seria uma performance contínua, primeiro comendo toda a Shaftesbury Avenue.
Bowie: Ziggy é avisado em um sonho, pelos infinitos, sobre a chegada de um homem espacial, então ele escreve Starman, que é a primeira notícia esperançosa que as pessoas ouvem. Eles vibram com isso. Os homens espaciais de que ele fala são chamados infinitos, e eles são saltadores de buracos negros. Ziggy vem falando sobre esse incrível homem das estrelas que virá para salvar a Terra. Os infinitos chegam em algum lugar em Greenwich Village. Não se preocupam com o mundo e são inúteis para nós. Simplesmente chegaram até nosso universo saltando buracos negros. Na encenação, um deles se parece com Brando, outro é um negro novaiorquino. Tem inclusive um que eu chamei de Queenie, a Raposa Infinita.
Agora Ziggy começa a acreditar em tudo isto e pensa em si mesmo como um profeta do futuro homem das estrelas. Ele se eleva a incríveis alturas espirituais e é mantido vivo por seus discípulos. Quando os infinitos chegam, pegam pedaços de Ziggy para se fazerem reais, porque em seu estado original eles são antimatéria e não podem existir em nosso mundo. E eles o despedaçam no palco durante a canção Rock’n’roll suicide. Tão logo Ziggy morre, os infinitos pegam seus elementos e ficam visíveis. É uma ficcão científica da atualidade e isso foi o que literalmente explodiu minha mente quando li Nova Express, que foi escrito em 1961. Talvez nós sejamos os Rodgers e Hammerstein dos 1970, Bill!

Burroughs: Sim, eu acredito. Os paralelos estão definitivamente lá, e isso soa bem.

Bowie: Tenho que ter a imagem total da encenação. Comigo tem que ser total. Não fico contente somente escrevendo música, quero fazer isso tridimensionalmente. Compor é algo um pouco arcaico agora. Só escrever uma canção não é bom o suficiente.
Burroughs: A performance completa, não como alguém sentado no piano e tocando uma música.
Bowie: Uma canção tem que ter um caráter, forma, corpo e influenciar pessoas em um grau que eles possam usá-la por conta própria. Isto deve afetá-lo não só como uma música, mas como um estilo de vida. As estrelas do rock assimilaram todo tipo de filosofias, estilos, histórias, escritas e jogam fora o que colheram disto.
Burroughs: A revolução virá de ignorar a existência dos demais.
Bowie: Realmente. Agora temos pessoas que estão fazendo isso acontecer em um nível mais rápido que nunca. Pessoas em grupos como Alice Cooper, The New York Dolls e Iggy Pop, que estão negando total e irrevogavelmente a existência das pessoas que estão nos Stones e nos Beatles. O salto geracional diminuiu de 20 anos para 10.
Burroughs: O crescente grau de mudança. A mídia é realmente responsável por muito disto, o que produz um efeito incalculável.
Bowie: Quando eu tinha 13 ou 14, para mim era entre os 14 e os 40 que você era velho. Basicamente. Mas agora é entre os 18 e os 26 –podem haver incríveis discrepâncias, o que é bastante alarmante. Não estamos tentando manter as pessoas juntas, mas adivinhar quanto tempo temos. Poderia ser positivamente entediante se as mentes estivessem em sintonia. Estou mais interessado se o planeta irá sobreviver.
Burroughs: Na verdade é o contrário que está acontecendo; as pessoas estão mais e mais afastadas.
Bowie: A idéia de conectar as mentes, para mim, ficou no período flower power. Isto de juntar as pessoas me parece obsceno como princípio. Não é humano. Não é natural como alguns querem que nós acreditemos.
Copetas: E o amor?
Burroughs: Ugh.
Bowie: Não sou muito da palavra “amor”.
Burroughs: Nem eu.
Bowie: Me disseram que era bacana se apaixonar, mas não foi nada disso que eu senti. Dei muito do meu tempo e energia para outra pessoa e eles fizeram o mesmo comigo e nós começamos a  destruir um ao outro. E isto é o que chamam amor… Decidir colocar nossos valores sobre outra pessoa. É como dois pedestais, cada um querendo estar no pedestal do outro.
Burroughs: Não acho que “amor” seja uma palavra útil. É predicado que há uma coisa chamada sexo e uma coisa chamada amor e que elas devem estar separadas. Como as primitivas expressões no velho Sul, quando a mulher está num pedestal e o marido reverencia sua mulher e então vai e trepa com uma prostituta. É um conceito ocidental e então se estende a toda aquela coisa do flower power de amar todo mundo. Bem, você não pode fazer isto porque os interesses não são os mesmos.
Bowie: A palavra está errada, tenho certeza. É a maneira como se entende o amor. O amor que você vê, entre as pessoas que dizem “estamos apaixonados”, é legal olhar… Mas querer não estar só, querer ter uma pessoa do lado, não é, normalmente, o amor que conduz as vidas destas pessoas. É uma outra palavra, não sei qual. Amor é todo tipo de relacionamento que você acha que… Tenho certeza que isso significa relacionamento, todo tipo de relacionamento que você possa pensar.
Copetas: E a sexualidade, para onde está indo?
Bowie: Essa é uma extraordinária questão, porque não vejo que esteja indo para lugar algum. Minha opinião é essa. Não está surgindo tipo a nova campanha publicitária para a próxima estação. Está lá apenas. Qualquer coisa que você pensar sobre sexualidade está apenas lá. Talvez existam diferentes tipos de sexualidade, talvez eles sejam trazidos à tona. Como na época em que era impossível ser homossexual, e agora é aceito. A sexualidade nunca mudará, porque as pessoas vêm trepando de seu próprio jeito desde o princípio dos tempos e irão continuar fazendo isto. Só que mais alguns destes jeitos virão à luz. Inclusive em lugares puritanos.
Burroughs: Há algumas indicações de que isto poderia ocorrer no futuro, uma reação real.
Bowie: Oh, sim, olhe para este negócio do rock. O pobre velho Clive Davis (produtor musical). Ele foi flagrado escondendo dinheiro e também drogas e isto fez começar uma inteira campanha de limpeza nas gravadoras; eles começaram a se livrar de alguns de seus artistas.
Sou tratado bastante assexuadamente por um monte de gente. E as pessoas que me entendem melhor são as que estão mais próximas do que eu entendo sobre mim. O que não é muito, ainda estou buscando. Não sei, as pessoas que chegam de alguma forma perto de onde acho que estou, me consideram mais como algo erógeno. Mas as pessoas que não sabem muito sobre mim me consideram mais sexualmente.
Mas, de novo, talvez haja desinteresse pelo sexo após uma certa idade, porque as pessoas que de fato chegam perto de mim geralmente são mais velhas. E as pessoas que me consideram mais como uma coisa sexual são geralmente mais jovens. As pessoas mais jovens sentem as letras de forma diferente, muito mais de um jeito tátil, que é o jeito que prefiro, porque é o jeito que eu sinto sobre escrever, especialmente o de William. Não posso dizer que analiso isto tudo e que é exatamente do jeito que você diz, mas de alguma forma eu sinto o que você quer dizer. Está tudo lá, uma casa inteira de maravilhas, estranhas formas e cores, sabores, sentimentos.
Devo confessar que até agora eu não tinha sido um leitor ávido de William. Para ser honesto, não ultrapassei Kerouac. Mas quando comecei a ver seu trabalho não podia acreditar. Especialmente após ler Nova Express, realmente me senti próximo. Meu ego obviamente me colocou no capítulo Pay Colour e então comecei a degustar cada linha do resto do livro.
Burroughs: Suas letras são bastante perspicazes.
Bowie: Elas são meio classe média, mas ok, porque eu sou classe média.
Burroughs: É bastante surpreendente como letras tão complicadas podem alcançar audiências massivas. O conteúdo da maioria das letras pop é praticamente zero, como Power to the people (de John Lennon).
Bowie: Tenho quase certeza que o público que consegui ouve as letras.
Burroughs: É o que estou interessado em saber… As pessoas as compreendem?
Bowie: Bem, isto é mais efeito da mídia. Só depois eles se sentam e se preocupam em prestar atenção. Quando chegam no ponto de lê-las, eles as entendem, sim, porque me mandam cartas sobre o que acham que estou falando, o que é ótimo porque algumas vezes eu não sei. Houve vezes em que escrevi coisas e que, numa carta, algum garoto fala sobre o que ele pensa sobre isto e a sua análise me toca tanto que eu assumo a impressão dele. Escrever o que meu público está me dizendo que escreva.
Lou Reed é o mais importante compositor do rock moderno. Não somente pelas coisas que produz, mas o rumo que está dando a isto. Metade das novas bandas não existiriam se não houvesse Lou. O movimento que Lou criou é incrível. New York City é Lou Reed. Lou escreve em um nível visceral das ruas e os ingleses tendem a intelectualizar mais.

Burroughs: Qual sua inspiração para escrever, literatura?
Bowie: Não.
Burroughs: Bem, eu li este seu Eight Line Poem e me lembra T.S. Eliot.
Bowie: Nunca o li.
Burroughs: (risadas) Lembra muito The Waste Land. Você tira idéias de seus sonhos?
Bowie: Frequentemente.
Burroughs: Eu tiro 70 por cento das minhas de meus sonhos.
Bowie: Tem uma coisa. Se você, ao dormir, mantiver os cotovelos elevados nunca irá ultrapassar o estágio do sonho. Fiz isto muito e me mantém sonhando muito mais tempo do que se eu só relaxasse.
Burroughs: Eu sonho muito e, como tenho um sono leve, acordo e anoto só algumas palavras. Elas me trarão a idéia toda de volta para mim.
Bowie: Tenho um gravador do lado da cama e, se alguma coisa vem, eu simplesmente gravo. Em termos de inspiração, não mudei muito minha visão desde que tinha 12 anos, eu tenho uma mentalidade de 12 anos de idade. Quando eu estava na escola tinha um irmão que estava lendo Kerouac e ele me deu On the Road para ler aos 12 anos. E continua sendo uma grande influência.
Copetas: As imagens que transpiram são muito gráficas, quase como quadrinhos.
Bowie: Bem, sim, eu acho mais fácil escrever nestas pequenas vinhetas; se eu tentar complicar as coisas, fico fora do meu alcance. Não poderia me conter no que digo. Além disso, se você é de fato mais difícil não haverá tempo suficiente para ler muito ou ouvir muito. Não faz muito sentido em ficar pesado… Há muitas coisas para ler e ver. Se as pessoas lêem três horas do que você fez, irão analisar isto por sete horas e sair com sete horas do seu própio pensamento… Ao passo que se você der a eles 30 segundos de seu próprio material eles normalmente ainda sairão com sete horas de seu próprio pensamento. Eles captam uma síntese do que você faz. E então pontificam sobre esta síntese. O senso de imediatismo da imagem: as coisas têm que captar o momento. Esta é uma das razões pelas quais estou nessa de vídeo; as imagens tem que ser divulgadas imediatamente. Adoro vídeo e toda a coisa de edição.
Quais são seus projetos agora?
Burroughs: No momento estou tentando montar um instituto de estudos avançados em algum lugar na Escócia. O objetivo é ampliar a percepção e alterar a consciência no sentido de uma maior variedade, flexibilidade e eficácia, no momento em que as disciplinas tradicionais não conseguiram chegar a soluções viáveis. Você sabe, o advento da era espacial e a possibilidade de explorar galáxias e contactar formas de vida alienígena trazem uma necessidade urgente por soluções radicalmente novas. Vamos considerar apenas métodos não-químicos, com a ênfase colocada na combinação, síntese, interação e alternância de métodos utilizados agora no Oriente e no Ocidente, junto com métodos que não estão ainda sendo utilizados para estender a consciência ou aumentar o potencial humano.
Nós sabemos exatamente o que pretendemos fazer e como fazer. Como eu disse, nenhuma experiência com drogas está planejada e nenhuma substância além de álcool, tabaco e remédios pessoais será permitido no centro. Basicamente os experimentos que propomos são baratos e fáceis de concretizar. Coisas como meditação no estilo yoga e exercícios, comunicação, som, luz e experiências cinematográficas, experiências com câmaras de privação sensorial, pirâmides, geradores psicotrônicos e acumuladores orgônicos de Reich, experimentos com infrassom, com sonho e com sono.
Bowie: Parece fascinante. Você está interessado basicamente em forças energéticas?
Burroughs: Expansão da consciência, algumas vezes levando a mutações. Você leu Jornada Para Fora do Corpo (de Robert Monroe)? Não é o livro comum sobre projeção astral. Este homem de negócios americano descobriu que estava tendo estas experiências de sair do corpo –sem nunca usar nenhuma droga alucinógena. Agora ele está fazendo uma força aérea astral. Esta coisa psíquica está realmente na onda nos States agora. Você viu algo do gênero quando esteve lá?
Bowie: Não, eu realmente me escondi disto propositalmente. Estive estudando budismo tibetano quando jovem, mais uma vez influenciado por Kerouac. O instituto tibetano de budismo era acessível, então fui lá para dar uma olhada. Havia um cara no porão que era o cérebro por trás da criação de um lugar na Escócia para refugiados e eu me envolvi num nível puramente sociológico –porque queria levar os refugiados para fora da Índia, porque estavam tendo uma vida realmente de merda por lá, caindo como moscas devido à mudança de clima do Himalaia.
A Escócia parecia um lugar legal para levá-los e então fui mais e mais atraído por seu modo de pensar, ou não-pensar, e por um momento fiquei bastante envolvido nisso. Fui até o ponto em que quis me tornar um monge noviço, e duas semanas antes de dar este passo, saí para a rua, fiquei bêbado e nunca mais voltei.
Burroughs: Como Kerouac.
Bowie: Você vai muito aos States?
Burroughs: Não desde 1971.
Bowie: Mudou, posso te dizer, desde então.
Burroughs: Quando você esteve lá?
Bowie: Um ano atrás, mais ou menos.
Burroughs: Você viu algum dos filmes pornôs em Nova York?
Bowie: Sim, alguns.
Burroughs: Da última vez que estive lá, vi uns trinta. Fui ser jurado de um festival de cinema erótico.
Bowie: Os melhores são os alemães; são realmente incríveis.
Burroughs: Acho que os americanos continuam sendo os melhores. Eu realmente gosto de cinema… Soube que você vai fazer o papel de Valentine Michael Smith na versão cinematográfica de Um Estranho Numa Terra Estranha (de Robert A. Heinlein; o filme nunca aconteceu).
Bowie: Não, não gosto muito do livro. Na verdade, acho horrível. Me sugeriram o papel e eu fui ler o livro. Me pareceu muito flower power e isso me deixou um pouco ressabiado.
Burroughs: Também não fiquei satisfeito com o livro. Você sabe, ficção científica não tem sido algo muito bem-sucedido. Se supunha que começaria toda uma nova onda e nada aconteceu. Para efeitos especiais no cinema, como em 2001, foi incrível. Mas acabou aí.
Bowie: Sinto o mesmo. Agora estou fazendo 1984 de Orwell na televisão (Bowie compôs a canção 1984 para um musical nunca concretizado); é uma tese política e uma impressão sobre a vida em outro país. Algo do gênero terá mais impacto na televisão. As pessoas terem que ir ao cinema é realmente arcaico. Prefiro asssistir em casa.
Burroughs: Você quer dizer todo o conceito de audiência?
Bowie: Sim, isso é antiquado. Nada a ver com o momento que vivemos. Nenhum senso de imediatismo.
Burroughs: Exatamente, isto remete à imagem e a maneira que é utilizada.
Bowie: Isso. Eu gostaria de fundar uma emissora de TV.
Burroughs: Dificilmente você acha alguma coisa que valha a pena. A TV britânica é um pouco melhor que a americana. A melhor coisa que os britânicos fazem é história natural. Tinha um na semana passada com leões marinhos comendo pinguins, incrível. Não há razão para programas tolos, as pessoas ficam entediadas com reformas de casas e greves de carvoeiros.
Bowie: Todos possuem um nível de interesse ao redor de três segundos. Tempo suficiente para captar a próxima frase do comentarista. Esta é a premissa em que funciona. Eu vou colocar todas as bandas que acho que tem valor nos States e na Inglaterra, e então fazer um programa de uma hora sobre elas. Provavelmente a maioria das pessoas nunca ouviu falar de nenhuma. Eles estão fazendo e dizendo coisas que outras bandas não estão, como a música porto-riquenha e o Cheetah Club de Nova York. Quero que as pessoas ouçam músicos como Joe Cuba. Ele fez coisas incríveis para multidões em Porto Rico. A música é fantástica e importante. Também quero começar a colocar os filmes de Andy Warhol na TV.
Burroughs: Você já encontrou Warhol?
Bowie: Sim, cerca de dois anos atrás fui convidado para ir a The Factory. Entramos no elevador e quando ele se abriu havia uma parede à nossa frente. Nós batemos na parede e eles não acreditavam em quem éramos. Então descemos de novo e voltamos a subir até que afinal eles abriram a parede e todo mundo ficou se olhando detidamente. Isto foi um pouco depois do incidente com a arma. Encontrei com o homem que estava entre a vida e a morte. Amarelo em compleição, uma peruca sobre aquela cor errada, pequenos óculos. Estendi minha mão e o cara retirou, então eu pensei: “O cara não gosta de carne, obviamente é um reptiliano” (mito da ficção científica). Ele pegou a câmera e tirou uma foto minha. Tentei entabular uma conversa com ele, mas não chegamos a lugar algum.
Mas aí ele viu meus sapatos. Eu estava usando um par de sapatos amarelos e dourados, e ele disse: “eu adoro esses sapatos, me diga onde você os conseguiu”. Então começou uma rápida conversa sobre design de sapatos e isto quebrou o gelo. Meus sapatos amarelos quebraram o gelo com Andy Warhol.
Adoro o que ele está fazendo. Acho que a importância dele é enorme, está se tornando algo fabuloso a apreciação dele atualmente. Mas Warhol queria ser conhecido, queria estar disponível em Woolworth’s (rede de lojas), e ser falado de uma maneira mais descomplicada. Soube que ele quer fazer filmes de verdade agora, o que é muito triste porque os filmes que ele estava fazendo eram o que devia estar acontecendo. Saí de lá sabendo tão pouco dele como pessoa quanto sabia ao entrar.
Burroughs: Não acho que exista alguma pessoa ali. É algo muito alienígena, completa e totalmente sem emoções. Ele é de fato um personagem de ficção científica. Tem uma cor verde estranha.
Bowie: Foi o que me espantou. Ele é da cor errada, este homem tem a cor errada para um ser humano. Especialmente sob a fria luz neon em The Factory. Deve ser uma experiência única encontrá-lo à luz do dia.
Burroughs: Eu o vi com toda luz e ainda não tenho nenhuma idéia do que acontece, exceto que é algo bastante proposital. Não possui energia, mas é bastante insidioso, completamente assexual. Seus filmes passarão com frequência na TV no futuro.
Bowie: Exatamente. Lembra-se de Pork (peça de Warhol)? Quero passá-la na TV. A TV devorou tudo, e os filmes de Warhol são o que sobrou, o que é fabuloso. Pork poderia se tornar o próximo I Love Lucy, a grande comédia doméstica americana. É sobre como as pessoas realmente vivem, não como Lucy, que nunca tocou água suja. É sobre pessoas vivendo e fazendo trapaças para sobreviver.
É disso que fala Pork. Um espetáculo impressionante. Também gostaria de fazer minha própria versão de Simbad o Marujo. Acho que é um clássico. Mas teria que ser feito num nível extraordinário. Seria incrivelmente permissivo e caro. Teria que utlizar lasers e tudo que tem de existir numa fantasia verdadeira.
Inclusive hologramas. Hologramas são importantes. Videotape é a próxima onda, e então virão os hologramas. Os hologramas serão usados em cerca de sete anos. Bibliotecas de video-cassetes serão desenvolvidas ao máximo neste ínterim. Você não pode gravar bom material suficiente em sua própria TV. Quero ter minha própria escolha de programas. Tem que existir o software necessário à disposição.
Burroughs: Eu gravo em áudio tudo que posso.
Bowie: Os meios de comunicação são ao mesmo tempo nossa salvação ou nossa morte. Gosto de pensar que são nossa salvação. Me interesso em descobrir o que pode ser feito com os meios de comunicação e como eles podem ser usados. Você não pode colocar as pessoas todas juntas como se fossem uma enorme família, as pessoas não querem isso. Eles querem isolamento ou um lance tribal. Um grupo de 18 garotos preferiria ficar juntos e odiar os outros 18 garotos do quarteirão. Não é possível ter dois ou três quarteirões de pessoas se curtindo e se amando uns aos outros. Há gente demais.
Burroughs: Gente demais. Nós estamos em uma situação de superpopulação, mas até mesmo com menos pessoas isto não os faria menos heterogêneos. Eles simplesmente não são iguais. Todo esse papo de uma família mundial é um monte de bobagem. Isto funcionou com os chineses porque eles são muito similares.
Bowie: E agora um homem em quatro na China tem uma bicicleta, e isso é bastante, considerando o que eles não tiveram antes. Pelo que eles conhecem, é um milagre. É como se todos nós, aqui, tivéssemos um avião a jato.
Burroughs: É porque eles são a personificação de um caráter que podem viver juntos sem nenhum atrito. Nós evidentemente não somos.
Bowie: Por isso eles não necessitam rock and roll. Roqueiros britânicos tocaram na China, e foram tratados como algo sem importância. Velhinhas, crianças, adolescentes, passaram por eles e não tinha nenhum significado. Certos países não necessitam de rock and roll porque estão unidos como uma família. A China tem essa figura materno-paterna –nunca tinha me dado conta disso antes–, que flutua entre os dois. Para os ocidentais, Jagger é certamente uma figura materna e ele é uma mãe galinha para esta coisa toda. Ele não é um galo; é mais como uma dona de bordel ou uma cafetina.
Burroughs: Oh, com certeza.
Bowie: Ele é incrivelmente sexy e muito viril. Mas também o acho incrivelmente maternal agarrado a seu seio de blues étnico. Ele é um garoto branco de Dagenham tentando seu melhor para ser étnico. Veja, tentar incrementar o rock um pouco seria chegar perto do que estes garotos são, porque o que eu acho, se você quer falar em termos de rock, é que depende muito de sensacionalismo e os garotos são muito mais sensacionais do que as próprias estrelas. O rock é uma pálida sombra do que a vida dos garotos normalmente é. A admiração vem do outro lado. É o contrário, principalmente nos anos recentes. Ande pela Christopher Street e você saberá exatamente o que deu errado. As pessoas não são como James Taylor; elas podem até parecer, vistas de fora, mas dentro de suas cabeças é algo completamente diferente.
Burroughs: Política do som.
Bowie: Sim. Temos isso hoje em dia. O fato de poder subdividir o rock em diferentes categorias era algo que não era possível dez anos atrás. Mas agora eu posso identificar no mínimo dez tipos de som que representam um tipo de pessoa mais do que um tipo de música. Os críticos gostam de ser críticos e a maioria deles desejaria ser rock-stars. Mas quando eles classificam estão falando de pessoas, não de música. É algo político.
Burroughs: Como o infrassom, o som abaixo do nível de ser ouvido.  Abaixo de 16 MHz. Aumentando o volume a toda capacidade isto poderia derrubar paredes em 30 milhas. Você pode ir até o escritório de registro de patentes na França e comprar a patente por 40 pounds. A máquina pode ser feita de forma barata, com coisas que você poderia encontrar em um ferro-velho.
Bowie: Como black noise (o som do silêncio). Fico pensando: será que existe um som capaz de reagregar as coisas? Tem uma banda experimentando coisas assim; eles acham que poderiam chacoalhar uma platéia inteira.
Burroughs: Existe um ruído para conter multidões baseado nestas ondas sonoras agora. Mas você poderia fazer música com infrassom e não necessariamente teria que matar os espectadores.
Bowie: Apenas mutilá-los.
Burroughs: A arma dos Wild Boys (livro de Burroughs), uma faca Bowie de 18 polegadas, sabia? (Bowie é uma marca de facas)
Bowie: Uma faca Bowie de 18 polegadas… Você não faz nada pela metade, hein? Não, eu não sabia que era esta arma. O nome Bowie apenas me chamou a atenção quando eu era mais jovem. Estava numa onda de filosofia pesada quando tinha 16 anos, e queria um truísmo sobre cortar as mentiras e coisas do tipo.
Burroughs: Bem, ela corta de ambos os lados, sabe, dupla lâmina no final.
Bowie: Não sabia que cortava de ambos os lados até agora.

Espetáculo "Os Saltimbancos" - Odeon Companhia Teatral




ESPECIAL ‘CHICO BUARQUE’: OS SALTIMBANCOS

Saltimbancos, com Chico Buarque de Roberto Oliveira





sexta-feira, 22 de julho de 2016

Geopolítica e terrorismo

O terrorismo está presente nas manchetes dos jornais. No rádio, na televisão e se aproximando  das olimpíadas causa pânico na população. Qual o conceito de terrorismo?  Esse terrorismo é recente na história da humanidade? Como caracterizar a geopolítica atual?
O terrorismo não é um fenômeno  recente, a palavra  nos faz  lembrar dos radicais jacobinos  e a institucionalização  do “terror de Estado” praticado durante durante  a Revolução Francesa por meio do Tribunal Revolucionário de Paris, porém antes deles diversos déspotas (czar Ivan IV, até mesmo Stálin) já havia ocorrido a esse método. A partir do final do século 19 o terrorismo sofreu notável expansão  depois do fim da Segunda Guerra Mundial com enorme incidência  no  Terceiro Mundo abarcando as guerras de libertação  nacional, as revoluções marxistas e as práticas  de grupos reacionários de extrema direta.
Por exemplo Mikhail Bakunin fundador do anarquismo  russo Bakunin preconizava o uso  do terror como ferramenta revolucionária mas atenção aquela época não é a mesma da nossa época, o terrorismo tem outro significado.
A definição de terrorismo é complexo e devemos analisar em diferentes momentos da história.
A guerra total contra o terror proclamada pelos EUA e a violência sectária no Iraque denotam  o destacado papel que essa forma de guerra irregular vem assumindo nesse século 21. Vivemos em uma era  de conflitos caracterizada pela presença intensiva  do fenômeno do terrorismo, a analise  de um ato de terror é preciso procurar identificar os elementos constitutivos: agente perpetrador, a clandestinidade, violência real ou  presumida, alvo primário, público alvo, e  meta psicológica. Frequentemente  se planeja alcançar um determinado objetivo político através da pressão exercida pelo público alvo afetado pelo  ato de terror como ocorreu  com os atentados perpetrados  pela Al Qaeda em Madri 11/3/2004 por exemplo.
Segundo o tenente-coronel Andrew Smith em seu artigo para Military Review descreveu  a cronologia genérica  de um atentado terrorista. Para ele tem três fases preparatória, ataque (durante) e a conseqüência, essas fases se adéquam perfeitamente  a qualquer tipo de atentado terrorista.
No filme “Vigilantes da guerra” (2014) com Jack Farner (Luke Moran), Peyton (Sara Paxton), Ghazi Hammoud (Omdabtahi), Jack vive  uma vida realizada ao seu país (EUA) no Iraque no auge  da  guerra contra o terrorismo. Lotado na infame prisão de Abu Ghraib e lá ele conhece Ghazi, suposto terrorista de um atentado em Londres. Jack no início mantinha um relacionamento humano cm os terroristas no fim seu comportamento muda praticando  os mesmos métodos que o esquadrão (enviado para o Iraque) fazia nas seções de tortura em Abu Ghraib. O filme exemplifica muito bem o terrorismo indiscriminado que compreende   execução de atentados concebidos com o propósito de vitimar o maior número possível de “não-combatentes”.
Muitos  comentaristas  procuram  em vão  respostas para o terrorismo no ato em si. O terrorismo  é apenas uma arma. O uso que se faz dela compete  àqueles que optam  por empregá-la. Portanto a moralidade, a motivação e os objetivos implícitos  em um atentado não podem ser identificados e compreendidos  pela análise exclusiva da ação.
Também o termo “guerra global contra o terror” nada significa , trata-se  de uma  expressão com forte apelo psicológico  cunhada para atingir  a opinião pública tornando questões complexas da política externa dos EUA inteligíveis para o cidadão comum.

Os terroristas continuam  orientando o planejamento  de suas ações segundo a análise  de três elementos básicos: a mídia, a opinião pública e os tomadores de decisão. O estudo pormenorizados dos dois primeiros permite  aos perpetradores  estabelecer  coerentes  e exeqüíveis, selecionar potenciais alvos primários  e dimensionar  o efeito  desejado do ataque. Portanto somente  quando a mídia, a opinião pública e a cúpula governamental adquirirem uma maior compreensão do fenômeno terrorismo, a sociedade tornará de fato menos vunerável  a esse tipo de ameaça.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

DCM O ESSENCIAL 21/07/2016

  1. Cunha pede apartamento novo em Brasília, mas Câmara oferece um velho
  2. Postado em 21 de julho de 2016 às 5:04 pm

    Clique aqui para deixar um comentário
    Do uol:
    O deputado afastado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não teve um pedido atendido pela Mesa Diretora da Casa: a mudança para um apartamento renovado. Enquanto tiver mandato, ele terá de viver em um apartamento antigo. “Ele queria apartamento novo, mas não tem. Há fila para apartamento novo”, contou o deputado Alex Canziani (PTB-PR), quarto-secretário da Mesa Diretora, responsável pela administração das moradias dos parlamentares.
    Nesta quinta-feira (21), a direção da Casa assinou um ato que permite com que o peemedebista se mude para um apartamento funcional mesmo não exercendo as atividades parlamentares. Cunha ocupa atualmente a residência oficial da presidência e tem até o dia 6 de agosto para deixá-la disponível para seu sucessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A expectativa é de que o deputado afastado deixe a residência até este fim de semana.
    Cunha receberá um apartamento antigo que passou por uma pequena manutenção, mas não foi informado o local. O imóvel está sendo pintado para receber o deputado e sua família. A mudança ficará à cargo da própria Câmara, que tem um setor que cuida do transporte dos pertences dos parlamentares quando eles se mudam de uma unidade para outra.
    (…)

  3. MP reitera denúncia contra Lula, Delcídio e mais 5 investigados
  4. Postado em 21 de julho de 2016 às 5:02 pm

    Clique aqui para deixar um comentário

    O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) ratificou hoje (21), na Justiça Federal em Brasília, denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral, e mais cinco acusados pelo crime de obstrução das investigações da Operação Lava Jato. Os detalhes do aditamento da denúncia não foram divulgados em razão do segredo de Justiça.
    Além de Lula e Delcídio, são alvo das investigações o ex-controlador do Banco BTG André Esteves, Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete de Delcídio, o empresário José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai, e o advogado Edson Ribeiro.
    Todos os envolvidos são acusados de tentar impedir o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró de assinar acordo de delação premiada com a força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato.
    Os fatos foram alvo de denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, no dia 24 de junho, o ministro Teori Zavascki remeteu o processo para a Justiça Federal em Brasília, por entender que a suposta tentativa de embaraçar as investigações ocorreu na capital federal. Além disso, nenhum dos envolvidos tem foro privilegiado na Corte.


  5. Sensacionalista: próximo Datafolha perguntará se brasileiros acham governo Temer ‘ótimo’ ou ‘maravilhoso’
  6. Postado em 21 de julho de 2016 às 4:42 pm

    Clique aqui para deixar um comentário
    Do Zorzanelli no Sensacionalista:

    A última pesquisa nacional de opinião sobre o futuro da presidência do país feita pelo instituto Datafolha causou muita polêmcia. Tudo porque o instituto e seu dono, a Folha de S. Paulo, “esqueceram” de dar aos entrevistados a opção de novas eleições. Desta forma, o número real de 60% de pessoas querendo novas eleições passou para 3%. A manchete da Folha dizia que 50% dos brasileiros queria que Temer continuasse, enquanto 32% gostaria de ver Dilma na cadeira de presidente.
    “Como para muitas pessoas ficou a impressão de que fizemos algo de propósito para beneficiar o governo Temer, resolvemos mudar tudo”, disse o editor-executivo Sergio Dávila.
    “Para a próxima pesquisa vamos querer saber se o brasileiro acha a Dilma ou a Marcela mais bonita, se o governo do Temer está ótimo ou maravilhoso, nessa linha.”, completa. “Baseado nisso, acho que os senadores poderão tomar a decisão mais acertada.”
    O Sensacionalista conseguiu acesso a um dos novos questionários. Eis algumas das questões:
    “Supondo que se Dilma voltar sua mãe, seu cachorro e seu melhor amigo morrem, você quer ver o fim do governo Temer?”
    “Supondo que Temer fosse a única opção no mundo, além dele ninguém, você gostaria que ele continuasse presidente pelo amor de Deus?” (Nesta hora, o pesquisador deve chorar).
    “Como você acha que podemos continuar atiçando o fogo do caos político para continuar vendendo mais jornais?”

  7. Operação antiterror pode ter sido desfechada por causa de vazamento para a Folha
  8. Postado em 21 de julho de 2016 às 4:28 pm

    Clique aqui para deixar um comentário
    Do Tijolaço:

    defen2

    Não há muitos detalhes mas, em princípio, parece que a cultura do vazamento e do  espalhafato policial ajudou a produzir uma ação  pouco eficiente e, talvez, desastrosa com esta prisão dos suspeitos de se organizaram para a prática de terrorismo nos Jogos Olímpicos.
    Não se pode descartar que as prisões não tenham sido executadas hoje porque alguém “vazou” para a Folha de S. Paulo que havia 100 pessoas sendo monitoradas (a maioria por terem visitado sites de grupos fundamentalistas) e que, destas, 10 ofereciam maior risco.
    Foram exatamente dez os presos, embora se diga que há dois que não foram localizados.
    Baita coincidência, não é? No mesmo dia em que sai a matéria!
    É óbvio que não estou culpando os jornalistas que fizeram a matéria: se alguém lhes vazou, é seu papel.
    Mas que diabo de força antiterror que sai dizendo a jornalista que são 10 os suspeitos , que foram identificados por navegarem por páginas de grupos, onde “escreveram mensagens mais elaboradas, inclusive elogiando iniciativas extremistas, ou compartilharam conteúdos relacionados ao terror” ?
    Mais: que três deles foram descobertos por acaso, quando um delegado federal os ouvi falando em árabe sobre bombas e explosões em um bar em São Paulo, graças ao dono do restaurante onde estavam, que era árabe, já que o policial não sabia o idioma? História,aliás, estranha, pois falar árabe num restaurante de dono árabe é dar uma de agente secreto português de piada.
    Obvio que o suposto terrorista, depois de ler isso e sabendo que fez isso, some e desaparece.
    Aqui a imprensa pode ser fazer de boba, mas duvido que os serviços de segurança estrangeiros não fiquem sabendo deste vazamento e não vacilem em trocar informações com o nosso pessoal de “inteligência”.
    E porque não fazer a operação de forma discreta, de forma a não “espantar a lebre”  de outros eventuais focos de perigo? Não precisa ler livro de espionagem para saber que, quando há ações deste tipo, outros sujeitos perigosos são postos a “hibernar”, ficam avisados e dificultam a ação policial?
    Acham que é exagero? Imagine, então, que o FBI conte ao NY Times que está monitorando 100 pessoas e que, delas, 10 são potencialmente perigosas, por causa disso, daquilo e daquilo outro?
    Vai acontecer? Óbvio que não. E se acontecesse, a investigação interna já estaria aberta e, esta sim, com grande estardalhaço, para fazer calar a boca aos boquirrotos.
    Nossos Jogos Olímpicos, que já enfrentam toda a sorte de problemas, não precisavam de mais este “mimo”.

  9. Mulher de acusado de terrorismo diz que grupos de WhatsApp dele eram de aulas de árabe
  10. Postado em 21 de julho de 2016 às 3:57 pm

    Clique aqui para deixar um comentário

    O jovem Vitor Barbosa Magalhães, conhecido das redes como Vitor Abdullah, de 23 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira, (21), pela PF, acusado de envolvimento com atentados terroristas que estariam marcados para acontecer durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
    Vitor, que trabalha na funilaria de seu pai para sustentar os dois filhos, se converteu ao islamismo em 2010. Em 2012, ele foi convidado a ir para o Egito para estudar a língua árabe e a religião. Lá passou seis meses e retornou para a cidade de Guarulhos, onde mora com a esposa e dois filhos.
    A esposa de Vitor, Larissa Rodrigues, 24 anos, afirma que eles foram acordados na manhã desta quinta-feira por cinco oficiais da Polícia Federal que possuíam mandados de busca e apreensão e mandados de prisão. “Os mandados foram expedidos no endereço dos meus sogros, mas o Vitor disse que não tinha nada a esconder e que os policiais podiam olhar a casa”, afirmou a esposa.
    Ela diz ainda que Vitor não possuía telegram. “Os únicos grupos que ele tinha no WhatsApp sobre o islã, eram os de árabe, porque ele dá aula pelo youtube e responde as dúvidas por mensagem”, conta Larissa.
    Em uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira para comunicar a prisão de dez suspeitos, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que eles estavam planejando a compra de armas de grosso calibre para futuros ataques. Segundo a esposa, as únicas armas que Vitor tinha em casa era arco-e-flecha, porque ele pratica o esporte.
    Revista Veja
    No início da semana, Vitor foi avisado por alguns amigos que sua foto estava na matéria da Revista Veja, que fala sobre atentados terroristas no Brasil. “O amigo dele ainda brincou, dizendo que ele estava famoso”, lembra a esposa.
    veja_vitor

    Na foto que ilustra a reportagem, Vitor segura o “estandarte negro”. Atualmente, a bandeira que possui os dizeres “não há deus a não ser Deus e Maomé é o profeta de Deus”, está vinculada ao Estado Islâmico e outros grupos fundamentalistas religiosos.
    A legenda da foto diz que 32 brasileiros já juraram lealdade ao Estado Islâmico. A esposa de Vitor afirma que ele não faz parte desse grupo.
    Segundo Larissa, a foto foi tirada durante a viagem de Vitor ao Egito e nem mesmo o jovem teria a imagem. “Assim que surgiram as primeiras relações da bandeira com o Estado Islâmico, ele apagou as fotos, inclusive do computador, mas deve ter ficado alguma no Facebook de algum companheiro de viagem dele”.
    A esposa fala ainda que, no primeiro momento, Vitor nem deu valor à publicação, mas depois, por orientação de amigos, decidiu procurar um advogado. “O advogado falou que não adiantaria processar, mas disse também pra ele fazer um boletim de ocorrência. Ele ia fazer o boletim essa semana, mas não deu tempo”, lamenta.
    Vitor teve a prisão temporária decretada com base na lei Antiterrorismo, sancionada em maio pela presidenta Dilma.

  11. Gabinete de Cunha recebeu caixa de Sedex cheia de cocô, diz colunista
  12. Postado em 21 de julho de 2016 às 3:14 pm

    Clique aqui para deixar um comentário

    Blog do Celson Bianchi - gabinete de Eduardo Cunha recebeu ha pouco caixa de sedex cheia de cocô



  13. Greenwald destaca papel do Tijolaço no desmascaramento da fraude do DataFolha
  14. Postado em 21 de julho de 2016 às 2:55 pm

    Clique aqui para deixar um comentário
    Do intercept:
    Semanas antes da conclusão do conflito político mais virulento dos úlitmos anos – a votação final do impeachment de Dilma no Senado Federal – a Folha, maior e mais importante jornal do país, não apenas distorceu, mas efetivamente escondeu, dados cruciais da pesquisa que negam em gênero, número e grau a matéria original. Esses dados demonstram que a grande maioria dos brasileiros desejam a renúncia de Michel Temer, e não que o “presidente interino” permaneça no cargo, como informado pelo jornal. Colocado de forma simples, esse é um dos casos de irresponsabilidade jornalística mais graves que se pode imaginar.
    A desconstrução completa da matéria da Folha começou quando Brad Brooks, Correspondente Chefe da Reuters no Brasil, observou uma enorme discrepância: enquanto a Folha anunciava em sua capa que apenas 3% dos brasileiros queriam novas eleições e que 50% queria a permanência de Temer, o instituto de pesquisa do jornal, Datafolha, havia publicado um comunicado à imprensa com os dados da pesquisa anunciando que 60% dos brasileiros queriam novas eleições. Observe essa impressionante contradição:
    Como isso é possível? Nós entramos em contato com o Datafolha imediatamente para esclarecer a dúvida, mas como grande parte dos veículos de comunicação já havia lido nosso artigo e o assunto havia se tornado uma controvérsia nacional, o instituto se recusou a se manifestar. Eles simplesmente não queriam nos explicar a natureza da discrepância.
    Mas essa revelação levou a outro mistério: nos dados e perguntas complementares publicados pelo Datafolha, não havia nenhuma informação mostrando que 60% dos brasileiros eram favoráveis a novas eleições, como dizia um dos enunciados da pesquisa do instituto. Parecia evidente que o Datafolha havia publicado apenas algumas das perguntas feitas aos entrevistados. Apesar das perguntas estarem numeradas, o documento contava apenas com as perguntas 7-10, 12-13 e 21. Isso não é necessariamente incomum ou incorreto (jornais tendem a omitir perguntas sobre tópicos menos relevantes ao publicar uma reportagem), mas era estranho que nenhuma das perguntas publicadas pelo Datafolha confirmasse ou tivesse relação com a afirmação do enunciado da pesquisa. De onde, então, saiu essa informação – 60% – que contradiz a reportagem de primeira página da Folha?
    A resposta veio através do excelente esforço investigativo de Fernando Brito do site Tijolaço. Primeiro, a equipe do site observou que o endereço URL do documento do Datafolha com os dados e perguntas complementares à pesquisa que foi publicado na segunda-feira – documento citado em nosso artigo original mostrando que a manchete da Folha era falsa – terminava em “v2”, ou seja, era a segunda versão do documento publicado pelo Datafolha. A equipe procurou a versão original, mas não foi possível encontrá-la no site do instituto. Eles começaram a tentar adivinhar o endereço URL da versão original, até que acertaram. Embora a versão original tivesse sido retirada do ar pelo Datafolha, ainda se encontrava nos servidores do instituto, e ao acertar o endereço URL correto o Tijolaço teve acesso ao documento.
    O que foi encontrado na versão original do documento – aparentemente retirada do ar de forma discreta pelo Datafolha – é de tirar o fôlego. Ficou comprovado que a matéria da Folha era uma fraude jornalística completa. A pergunta 14, encontrada na versão original, dizia:
    “Uma situação em que poderia haver novas eleições presidenciais no Brasil seria em caso de renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer a seus cargos. Você é a favor ou contra Michel Temer e Dilma Rousseff renunciarem para a convocação de novas eleições para a Presidência da República ainda neste ano?”
    Os dados não publicados pelo Datafolha mostram que 62% dos brasileiros são favoráveis à renúncia de Dilma e Temer, e à realização de novas eleições, enquanto 30% são contrários a essa solução. Isso significa que, ao contrário da afirmação da Folha de que apenas 3% querem novas eleições e 50% dos brasileiros querem a permanência de Temer como presidente até 2018 – ao menos 62% dos brasileiros, uma ampla maioria, querem a renúncia imediata de Temer.
    A situação é ainda pior para a Folha (e Temer): a porcentagem de eleitores que deseja a renúncia imediata de Temer é certamente muito maior do que esses 62%. A pergunta colocada pelo Datafolha era se os entrevistados eram favoráveis à renúncia de Temer /e Dilma/. Muitos dos que responderam “não” – conforme demonstrado pelos detalhes dos dados – são apoiadores do PT e/ou querem Lula como presidente em 2018, o que significa responderam que “não” porque querem que Dilma retorne, e não porque querem a permanência de Temer. Portanto – conforme concluído pelo Ibope em abril – apenas uma minoria dos eleitores querem Temer como presidente: exatamente o oposto da “informação” publicada pela Folha.
    Essa não foi a única informação ausente que o Tijolaço descobriu quando encontrou a primeira versão dos dados publicados. Como explicam de maneira detalhada, havia dois parágrafos inteiros escritos pelo DataFolha resumindo os dados das respostas que também foram removidos da segunda versão publicada, inclusive a seguinte frase: “a maioria (62%) declarou ser a favor de uma nova votação para o cargo de presidente”
    A equipe também descobriu uma pergunta não revelada – a pergunta 11 – que é provavelmente a mais favorável a Dilma e foi completamente omitida pela Folha. O DataFolha perguntou:
    “Na sua opinião, o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff está seguindo a regras democráticas e a Constituição ou está desrespeitando as regras democráticas e a Constituição?”
    Apenas 49% disseram que o impeachment cumpre as regras democráticas e respeita a Constituição, enquanto 37% disseram que não. Como a Folha pode omitir este dado tão surpreendente e importante quando, supostamente, quer descrever a visão dos eleitores sobre o impeachment?
    (…)

  15. PF prende grupo que supostamente planejava atentado na Rio 2016
  16. Postado em 21 de julho de 2016 às 12:57 pm

    Clique aqui para deixar um comentário
    Da DW:

    A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (21/07) um grupo suspeito de planejar um ataque terrorista durante os Jogos Olímpicos, a apenas 15 dias do início do megaevento no Rio de Janeiro. Dez pessoas foram detidas pela PF, com autorização judicial, em São Paulo e Paraná. Outros dois estão sendo buscados.
    O grupo foi recrutado pelo “Estado Islâmico” (EI) pela internet e, entre os presos, há um menor de idade. Houve a cooperação com serviços de inteligência de outros países para a prisão dos suspeitos, que mantinham um canal de comunicação com os membros do EI.
    O presidente interino, Michel Temer, recebeu informações sobre a operação na manhã desta quinta-feira e fez uma reunião com os ministros da Justiça, Alexandre Moraes; do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, e com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello.
    Em coletiva em Brasília, Moraes afirmou que foram expedidos 12 mandados de prisão temporária por 30 dias, em 10 estados. “Dez estão presos e outros dois estão sendo rastreados e aguardamos a prisão deles”, disse. As prisões realizadas em São Paulo e Paraná foram as primeiras feitas com base na lei antiterror.
    O ministro da Justiça declarou, ainda, que o serviço de inteligência brasileiro detectou que o grupo preso passou a planejar de fato “atos preparatórios” de ataques após começar a postar simples comentários em aplicativos de trocas de mensagens como Whatsapp e Telegram.

  17. Temer sanciona reajuste de 41,5% para Judiciário sem vetos
  18. Postado em 21 de julho de 2016 às 9:58 am

    Clique aqui para deixar um comentário
    Do Valor:

    Mesmo em meio a um esforço de ajuste fiscal, o presidente interino, Michel Temer, sancionou sem vetos nesta quarta-feira proposta que concede reajuste salarial de 41,5% para servidores do Poder Judiciário.
    A sanção será publicada na edição desta quinta-feira do “Diário Oficial da União”. O aumento faz parte de pacote de reajustes para diversas categorias do funcionalismo público autorizado pelo governo interino em junho.
    Pela proposta, o aumento ocorre de forma escalonada em oito parcelas até julho de 2019. Segundo o Ministério do Planejamento, há espaço fiscal para o aumento.
    O impacto da iniciativa, pelos cálculos do governo interino, é de R$ 1,7 bilhão para os cofres públicos ainda em 2016. Para 2017, a previsão é de um impacto de R$ 4,7 bilhões.
    Em 2018, o governo interino projeta gastos de R$ 6,5 bilhões e, em 2019, de R$ 9,3 bilhões. O total acumulado nos quatro anos é de quase R$ 22,3 bilhões.

  19. Dilma sobre Datafolha: “Diferença de 3% para 62% em relação ao que quer a população não é trivial”
  20. Postado em 21 de julho de 2016 às 9:23 am

    Clique aqui para deixar um comentário

    Não costumo comentar pesquisa, mas um fato deve ser olhado. Uma diferença de 3% pra 62% em relação ao q quer a população não é trivial.
Conferência dos Geógrafos Latino Americanistas

Data: 05 a 11 de janeiro de 2014 (apresentações nos dias 07 e 08)
Lugar: Cidade do Panamá, Panamá
Envio de trabalhos: até 31 de outubro de 2013

Maiores informações na página na internet:
http://clagpanama2014.tamu.edu/call-for-papers
http://clagpanama2014.tamu.edu/