sábado, 22 de julho de 2017

Eles Não Usam Black Tie (1981)

Germinal (1993)

Reds (1981)

Carta aos Professores de Geografia

BNCC e a "nova geografia"

BNCC e o fim autonomia docente: a “nova geografia” a serviço do capital


Por Roberto Silva dos Santos (07/07/2017)

A divulgação pelo Ministério da Educação-MEC, no mês de Abril de 2017, da Base Nacional Comum Curricular-BNCC nos causou inquietação diante da proposta para o ensino de geografia. Enquanto professor da área sinto-me agredido pela tentativa de padronização do ensino de forma a tentar nos transformar em reprodutores dos conteúdos prontos ofertados pelas empresas de apostilamento. Segundo o MEC, a BNCC será avaliada pela Conselho Nacional de Educação, provavelmente, ouvindo a sociedade em audiência pública. A proposta da BNCC, publicada, visa estabelecer parâmetros para as escolas com conteúdos pré-definidos, engessando o trabalho docente. Segundo o professor Luiz Carlos de Freitas, a BNCC visa responsabilizar escolas; punir ou premiar professores e diretores; facilitar a produção padronizada dos livros didáticos, aumentando o processo de privatização do ensino; e engessar a formação de professores.

A proposta afronta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB que estabelece princípios (Art. 3º) que devem nortear a educação pública como: liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; e respeito à liberdade e apreço à tolerância. Já os artigos 12 e 13 asseguram as unidades escolares e aos docentes autonomia para elaborar e executar suas respectivas propostas pedagógicas e planos de trabalho docente. Como escolas e professores exercerão suas autonomias se a BNCC visa restringir o ensino a uma única proposta pedagógica?

Diante das críticas ao documento, o Ministério da Educação-MEC divulgou nota em seu site defendendo que a BNCC “preserva e garante como pressupostos o respeito, abertura à pluralidade, a valorização da diversidade de indivíduos e grupos sociais, identidades, contra preconceito de origem, etnia, gênero, convicção religiosa ou de qualquer natureza e a promoção dos direitos humanos”.

Entretanto, o debate que vem sendo realizado é que a BNCC tem claros objetivos de ajustar/padronizar as avaliações nacionais, bem como a prova nacional docente. Tal medida terá sérias consequências tanta na educação básica quando no ensino superior como: engessamento das instituições formadoras de professores e o apostilamento dos sistemas de ensino para assegurar elevados lucros as empresas, simplificando e infantilizando os materiais destinados às escolas públicas.

Assim, em vez de empoderar as escolas e os profissionais da educação como assegura a LDB, a Base visa estabelecer um controle suicida sobre os Projetos Políticos Pedagógicos das escolas. Essa medida pretende padronizar o que não se deve, pois a realidade sócio-econômica e educacional do país é muito diversa e as políticas públicas educacionais deve assegurar a oferta da educação com qualidade e não favorecer os grandes conglomerados produtores de apostilas/livros didáticos.

O Ensino de Geografia na BNCC: fim da autonomia docente e defesa da ausência da luta de classes

O documento estabelece a base apenas para o Ensino Fundamental: Anos Iniciais e Anos Finais. Uma questão grave foi a ausência da parte relativa ao Ensino Médio. Com as mudanças do Ensino Médio através da Medida Provisória 746, muito criticada, por definir como obrigatório apenas matemática, português e inglês, colocando os demais componentes curriculares como optativos, a BNCC não deu conta dessas questões.

Nessa perspectiva de padronização curricular e da existência de um documento apenas para o Ensino Fundamental, o texto base enviado ao Conselho Nacional de Educação, página 313, informa que “a BNCC está organizada com base nos principais conceitos da Geografia contemporânea. Esse pensamento visa assegurar que a compreensão do conhecimento geográfico ocorra sem levar em consideração os processos capitalistas de luta de classes e exploração em nome do lucro. A o ensino de geografia será condicionado a impedir a compreensão do espaço de forma crítica.

O MEC com a BNCC busca acabar com autonomia docente em elaborar seu plano de trabalho a partir do Projeto Político Pedagógico da escola como determina o artigo 206 da Constituição Federal que determina que o “ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino”. Os princípios constitucionais estão sendo, de forma sutil, destruídos pela imposição da Base Nacional Comum Curricular.

Para os Anos Iniciais, a proposta é “ampliar as experiências com o espaço e o tempo vivenciados pelas crianças em jogos e brincadeiras na Educação Infantil, por meio do aprofundamento de seu conhecimento sobre si mesmo e de sua comunidade, valorizando-se os contextos mais próximos da vida cotidiana”(pg. 314). A ideia é possibilitar que as crianças construam sua identidade relacionando-se com o outro e valorizando as suas memórias e marcas do passado vivenciadas em diferentes lugares, ampliando sua compreensão do mundo.

Essa forma de ensino não permite que as crianças possam compreender a realidade social a qual está inserida é resultado da desigualdade social produzida pelo desenvolvimento da exploração capitalista. A geografia passa ter a o papel de construir o conformismo social, na medida em que buscar fazer com que os estudantes construam sua identidade com o lugar onde vive, mesmo sendo privado de uma série de direitos como: falta de habitação digna, saneamento básico, água tratada, assistência à saúde e educação pública, transporte coletiva de qualidade, segurança pública etc.

Para os Anos Finais é proposto uma articulação de diferentes espaços e escalas de análise, possibilitando que os alunos compreendam as relações existentes entre fatos nos níveis local e global, estabelecendo as interações entre sociedade e meio físico natural. Essa proposta incorpora-se processo de produção do espaço agrário e industrial em sua relação entre campo e cidade, destacando-se as alterações provocadas pelas novas tecnologias no setor produtivo, fator desencadeador de mudanças substanciais nas relações de trabalho, na geração de emprego e na distribuição de renda em diferentes escalas.

A proposta do MEC tenta mostrar o capitalismo como um sistema justo e capaz de assegurar emprego, renda e condições de vida digna para todos. Essa tentativa de “humanizar o capitalismo” está centrada na chamada pedagogia das competências defendida como caminho para superação dos problemas existentes na educação brasileira. Essa proposta pedagógica não passa de mais uma ação do capitalismo sobre as políticas educacionais dentro das recomendações das corporações transnacionais, pois os grupos econômicos e seus intelectuais defendem um aluno/trabalhador adestrado para o novo mercado de trabalho que não tem emprego para todos.

A BNCC impõe uma série de habilidades que os estudantes devem atingir ao final de série/ano letivo. Essas habilidades visam assegurar que os alunos, futuros trabalhadores precisam entender que o emprego está diminuindo e o “sucesso ou fracasso” na vida é culpa dos próprios trabalhadores que não se esforçou suficiente para ter sucesso na vida. Nessa perspectiva, a educação passa a ter um papel estratégico construir a cultura do conformismo social. Para ter sucesso na criação dessa nova cultura, a serviço do capital, vem sendo defendido para educação a pedagogia das competências e habilidades. A ideia dessa pedagogia é que os alunos/trabalhadores adquiram habilidades para que possam se manter no mercado de trabalho.

A política de enfraquecimento da autonomia docente faz parte desse pacote o qual está inserida a BNCC. O professor adaptado à lógica da pedagogia das competências é aquele que aceita os pacotes produzidos pelas empresas de apostilamento as quais defendem a padronização curricular com objetivo de aumentarem seus lucros e organizar a educação a partir dos interesses do capital. Esse “novo professor” não precisa pensar, planejar e transmitir os conteúdos técnico-científicos, como defende a Geografia Crítica centrada nos princípios marxistas: análise concreta da realidade concreta, desafiando os estudantes a entenderem os processos históricos que produzem a realidade social e econômica a qual estamos inseridos. O “novo professor” na lógica da BNCC, apenas deve repassar para os alunos os conteúdos das cartilhas prontas para que possam adquirir as habilidades necessárias que interessa ao capital.

O texto defende que os conteúdos devem priorizar o exercício da cidadania como tema transversal nos conhecimentos da Geografia a partir de “situações e problemas da vida cotidiana, tais como: estabelecer regras de convivência na escola e na comunidade; discutir propostas de ampliação de espaços públicos; e propor ações de intervenção na realidade, tudo visando à melhoria da coletividade e do bem comum” (pg. 316). O exercício da cidadania, na proposta do MEC, está alinhada a lógica da pedagogia das competências do conformismo social. Esse “novo ensino” da geografia visa, portanto, naturaliza a concentração de renda e as desigualdades sociais, típica da sociedade capitalista.

A BNCC estabelece ainda, por série/ano uma série de habilidades a serem alcançadas para todos os alunos, desenvolvidas em todas as áreas e por componentes curriculares que seguem as diretrizes das competências do século XXI. Essas habilidades pressupõem que “os alunos devem aprender a resolver problemas, a trabalhar em equipe com base em propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”.

Assim com a BNCC, o ensino passa a ter o papel de ser uma instituição disciplinar e repressiva na medida em que interioriza no aluno, desde criança, a obediência a hierarquias, horários, controles de presença, notas e o desempenho de tarefas pré-determinadas, quantificadas nos livros e apostilas. E depois, atua como qualificadora, na medida em que habilita o aluno, como futuro trabalhador, a exercer trabalho disponíveis a partir das habilidades impostas pelos materiais didáticos ofertados durante a vida escolar.

Movimento de renovação geográfica com a crise da Geografia Tradicional

Em meados da década de 1950 a chamada geografia tradicional entra em crise, fazendo com que a geografia buscasse novos conceitos e paradigmas. Essa mudança acontece diante dos desafios que se apresenta para os estudos geográficos, pois o modo de produção capitalista entra na fase monopolista. A partir desse momento, o capitalismo deixa de ter uma organização centrado em múltiplas empresas médias concorrendo no mercado e passa a ser organizado em grandes monopólios que globalizou o espaço terrestre a partir das empresas multinacionais.

Nesse novo cenário mundial, a realidade local passa a ser consequência de um processo globalizado a partir dos interesses capitalistas transnacionais. Assim, problemas como degradação ambiental, desemprego, aumento da pobreza e dos problemas sociais em determinado lugar é fruto dos interesses capitalistas a nível global. O estudo e compreensão dessa nova realidade passa a ser o instrumento de pesquisa da geografia.

Nessa busca da geografia por um novo objeto de estudo, surge 03 (três) novas correntes geográficas: Geografia Quantitativa, Geografia Cultural ou Fenomenológica e a Geografia Crítica.

A Geografia Quantitativa surge na perspectiva de explicar os fenômenos geográficos através de uma linguagem matemática. Para Milton Santos, “isso seria obtido por meio de combinações onde análises de sistemas, modelos e estatísticas seriam um elemento fundamental”. Assim, os estudos geográficos passam a serem insuficientes por estudar o mundo a partir de um olhar fragmentado do todo. Os estudiosos dessa ciência passaram a reduzir os problemas sociais, resultado da complexidade dos problemas gerados pela mundialização do capitalismo a partir de equação matemática.

Já a Geografia Cultural ou Fenomenológica baseia-se os estudos geográficos a partir das experiências pessoais vividas tendo como referências as noções de espaços e lugar, ou seja, aquele ambiente em que o indivíduo está ambientado e integrado, não sendo toda e qualquer localidade. O lugar passa a ser a localidade que tem significância afetiva para uma pessoa ou um grupo de pessoas. Assim, o objeto de estudo da geografia passa a ser a cultura e a vida social, numa permanente troca entre o indivíduo e a sociedade, tendo como pano de fundo as relações entre cultura e poder.

A Geografia Crítica, também chamada de Geografia Radical ficou conhecida com o movimento real de renovação dos estudos geográficos que rompe, definitivamente com os paradigmas da Geografia Tradicional. Esse novo pensamento geográfico está fundamentado nas ideias de Marx, estabelecendo limites e possibilidades.

O pensamento marxista proporcionava uma visão completa da realidade, sendo assim a Geografia Crítica poderia de uma forma global analisar a realidade. Assim, a história humana passa a ser compreendida como resultado do esforço humano em dominar a natureza através do avanço da exploração capitalista, através das grandes corporações internacionais, que leva ao progresso e nos levaria ao fim da própria humanidade. A geografia crítica dá ênfase e valoriza o espaço, pois é nele onde se processa a luta de classes. Assim, a ciência passa a analisar e compreender diversas problemas até então desconhecidos.

No Brasil, o pensamento crítico é construído na luta contra a ditadura militar que ceceava o pensamento crítico. Assim, com o processo de redemocratização, a volta dos exilados políticos e as greves operárias, especialmente no Estado de São Paulo, o pensamento crítico passa a dominar os estudos geográficos. Nessa perspectiva, a Geografia Crítica passa a denunciar o pensamento tradicional em despolitizar o pensamento geográfico e a dos quantitativistas em desconsiderar as linhas históricas das ações capitalistas que modificam o espaço geográfico. Os geográficos críticos, como Milton Santos, buscam estudar o espaço como resultado da dominação de classe, ou seja, da ação dos capitalistas em explorar a natureza, produzir desigualdade sociais e concentrar renda, gerando uma série de problemas sociais e ambientais.

Nossa análise sobre a BNCC em Geografia: Geografia Contemporânea

A BNCC para o ensino de geografia deixa claro que a base de elaboração das habilidades que os estudantes brasileiros devem ter ao final de série/ano estão fundamentados nos “principais conceitos da Geografia Contemporânea” (pg. 313). Essa nova corrente do pensamento geográfico surge como contraofensiva ao pensamento crítico na geografia.

A geografia contemporânea busca estudar a relação entre sociedade e natureza. Essa relação acontece pelo fato da sociedade atuar sobre a natureza, apropriando-se, transformando-se e possibilitando uma nova natureza que embora guarde algumas características originais constroem novas qualidades. Essa análise geográfica sobre a natureza deixa de considerar o processo de exploração capitalista como ação de uma classe (classe burguesa) como analisa os geográficos críticos.

Os geográficos conservadores buscam analisar o processo de internacionalização da economia numa perspectiva de santificar as empresas privadas como responsáveis em levar desenvolvimento as regiões mais pobres do planeta. Essa análise desconsidera o caráter ideológico do ensino da geografia pois esses geográficos estão preocupados com a destruição do planeta através do uso indiscriminado da tecnologia, mas explica que esse processo é resultado da ação da sociedade sobre a natureza, ou seja, generaliza o problema para culpabilizar a todos, desresponsabilizando a burguesia que em nome do lucro destroem e poluem.

Os desafios dos professores de Geografia com a BNCC

A partir da década de 1990 passou a ser difundido um novo padrão neoliberal a partir da valorização do individualismo como referência para ordenamento das práticas sociais de vida e trabalho. O lema self-made man (“homem feito por si mesmo”) − em outras palavras, “você é responsável pelo seu próprio sucesso ou fracasso”− foi afirmado pela indústria cultural (rádio, televisão, propagandas, teatro, cinema, publicidade, etc.) de vários modos. Nesse mesmo período, as forças neoliberais realizaram a reestruturação produtiva, promovendo o desemprego, a instabilidade, o aumento da produtividade e a flexibilização das relações de trabalho, ou seja, redução de direitos trabalhistas em todo mundo, atingindo a subjetividade dos trabalhadores/as e desconstruindo suas referências políticas de organização coletiva. É nesse cenário que o Ministério da Educação busca impor a pedagogia das competências e habilidades através da BNCC nas escolas de todo país.

A adoção de políticas neoliberais na educação produziu os efeitos devastadores. Além de manter ou aprofundar o achatamento salarial, viabilizou a intensificação e a precarização das condições de trabalho que afeta diretamente professores e estudantes. Apesar da existência de dispositivos legais que apontam na direção da valorização do trabalho docente e dos discursos governamentais que ressaltam a importância da educação para o país, nos anos de neoliberalismo vem predominando os baixos salários, as carreiras pouco atrativas, as escolas deterioradas, a falta de equipamentos e as instalações adequadas.

A desvalorização do trabalho educativo foi reafirmada por meio dos pacotes instrucionais e de gestão implementados até mesmo por governos que se autointitulam democráticos e diziam-se identificados com os anseios da classe trabalhadora. A BNCC tem objetivo de transformar esses pacotes instrucionais em políticas públicas. Os efeitos para educação pública serão incalculáveis do ponto de vista da emancipação humana ou do conformismo social.

A BNCC busca individualizar o trabalho docente, pois no seu processo de formação inicial os cursos de licenciatura deverão levar em consideração as diretrizes da Base. Ao mesmo tempo a chamada “reforma do Ensino Médio” prever o aproveitamento de créditos do Ensino Médio para o ensino Superior, resultando num processo de desvalorização do trabalho docente já na formação inicial por meio de aligeiramentos, simplicações e superficialiade nos processos pedagógicos destinados a formar os futuros professores. Inseridos sobre essas determinações, os trabalhadores da educação passaram a conviver (adaptando-se ou resistindo) com o individualismo como referência valorativa, tanto no planejamento e na execução de seu trabalho quanto na formação dos estudantes. Além disso, os trabalhadores enfrentam o dramático processo de transformação de sua ação profissional em trabalho simples de tipo industrial, isto é, desprovido de autonomia e controlado por mecanismos externos produtivistas.

Defendemos que o trabalho educativo deve ser reconhecido como trabalho complexo especializado de tipo artesanal, ou seja, controle dos meios e processos de trabalho pelos educadores através do processo de planejamento a partir do Projeto Político Pedagógico da escola. A resistência a esse modo capitalista de controle do trabalho docente deve ocorrer a partir do processo de ressignificação dos conteúdos trabalhados e nos materiais didáticos, dando vida e sentido a partir da realidade dos educandos.

Numa educação emancipadora que rompa com os objetivos capitalistas para educação através da pedagogia das competências, o trabalho docente deverá ser centrado em princípios que orientem o processo educativo: a cooperação (colaboração efetiva entre os sujeitos), a solidariedade (construção coletiva vinculada à condição e experiência da classe social, resultante da compreensão da condição histórica, da comunhão de atitudes e sentimentos, gerando a unidade política como forma de enfrentar e resistir às forças antagônicas), a gestão coletiva (atuação grupal nas tomadas de decisões) e autonomia (liberdade coletiva para tomar decisões sem imposições externas, considerando o projeto político-pedagógico da escola).

O trabalho educativo é por essência um trabalho criativo, exigindo que o profissional tenha condições pedagógicas e administrativas para controlar os meios, o tempo e os processos de seu próprio trabalho. Portanto, o trabalho educativo é incompatível com o produtivismo gerencialista da pedagogia das competências. Nesse sentido, só nos resta resistir a mais essa tentativa de controle sobre nosso trabalho, enquanto educadores.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

clima e tempo

Primeira neve na cidade de São Joaquim






Por Reinaldo José Lopes (Folha de São Paulo - 16/07/2017)

Todo santo inverno é a mesma história. O sujeito precisa de dois ou mais cobertores para se aquecer durante as noites paulistanas, ou então tem a felicidade de ir passar o final de semana na serra catarinense –e vai, todo pimpão, postar bobagem nas redes sociais: "Olha só que frio, cadê o aquecimento global kkkk", escreve ele na legenda da "selfie" que tirou ao lado do boneco de neve em São Joaquim (SC).

Bom, o mero uso do "kkkk" como onomatopeia para risos já seria motivo suficiente para indiciar a criatura por crime de lesa-idioma-pátrio, mas grave mesmo é o raciocínio chinfrim por trás desse tipo de piadinha. Trata-se da eterna confusão entre "tempo" e "clima", gentil leitor. Não caia nessa.

"Tempo" são os padrões de sol, chuva, frio, calor etc. de curto prazo, em geral na escala de dias ou de uma ou duas semanas. São coisas mais instáveis e sensíveis a pequenas variações atmosféricas e oceânicas –o que explica o porquê de as pessoas às vezes se enfurecerem tanto com a previsão do tempo (não "do clima", note bem) errada nos jornais e na TV. Não que os erros sejam tão comuns assim –hoje em dia a taxa de acerto é bem aceitável, na faixa dos 80%.

Já "clima", como você deve ter adivinhado, tem a ver com escalas de tempo mais longas e com aspectos muito mais fundamentais do lugar que a Terra ocupa no Sistema Solar. É o clima que dita que o verão será seguido pelo outono e o inverno, pela primavera. Daí o absurdo de se questionar a realidade das mudanças climáticas só com base no fato de que, veja que impressionante, anda fazendo frio no inverno e calor no verão.

Ocorre que ambas as coisas dependem de um fenômeno muito básico e difícil de alterar: a inclinação do eixo de rotação da Terra, responsável pelo fato de que, em dezembro, os habitantes do hemisfério Sul estão expostos de forma mais direta à luz do Sol do que os do hemisfério Norte (o que explica, portanto, a chegada do verão aqui e do inverno nos EUA). A humanidade tem alterado a Terra de trocentas maneiras nas últimas décadas, mas a gente ainda não descobriu como bagunçar o eixo de rotação do planeta, o que significa que invernos e verões continuarão ocorrendo como de costume.

E, é lógico, existem diversas outras variáveis de médio e longo prazo que bagunçam as nossas expectativas climáticas normais. Temos o El Niño (o aquecimento anormal de parte das águas do oceano Pacífico) e outros fenômenos cíclicos que, na escala de anos, afetam a temperatura e o regime de chuvas; temos variações mais sutis na energia que vem do Sol, na poeira que os vulcões lançam na atmosfera de vez em quando –a lista não acaba.

Tudo isso gera variabilidade natural no sistema climático da Terra, favorecendo extremos periódicos de frio ou calor, de umidade ou de secura. Mais importante ainda, todos esses fatores são levados em conta por quem tenta entender o que está acontecendo com o clima hoje e o que pode acontecer no futuro.

São levados em conta, repito, e não são suficientes para explicar a tendência de aumento das temperaturas globais ao longo do último século e deste. A única coisa que explica essa tendência de modo coerente é, você adivinhou, o gás carbônico emitido pela ação humana. Confundir tempo com clima para questionar isso é um erro primário. Quem quer bancar o cético deveria, no mínimo, conhecer os fatos básicos antes de postar aquela foto de neve no Instagram.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

as mídias sociais

Por que devo confiar em quem se oferece como mediador da verdade?

Luiz Felipe Pondé (26/6/2017)
A recusa do mundo sempre foi um clássico na filosofia. Talvez os mais famosos nisso tenham sido os estoicos romanos, como Marco Aurélio (121-180) e Sêneca (4 a.C. - 65 d.C.). Um imperador, outro senador, gente de posses, como dizia minha avó. Se gente de posses diz que o mundo é uma farsa, há algo de verdade nisso. Uma das maiores razões para se recusar o mundo sempre foi a ideia que ele era o lugar da mentira.
Várias espiritualidades pregam essa recusa do mundo. Das mais profundas até aquelas que no lugar do mundo recusado colocam viver fazendo geleia em Gonçalves.
A moçada que recusa o mundo hoje não abre mão do wi-fi. O mundo pode ser o lugar da mentira, mas o wi-fi é, seguramente, o lugar da vida. Você pode ser um "monge contemporâneo" que se comunica via mídias sociais. Antão (251 - 356) e Pacômio (292 - 348), que ruminavam trechos dos Salmos nos desertos do Egito, jamais imaginariam uma vida de monge assim.
Mas o mundo como lugar da mentira é mesmo uma questão muito séria em filosofia. Se num vilarejo onde moram dez pessoas pode ser difícil se saber o que é a verdade, como podemos falar em buscar a verdade num mundo com 7 bilhões de Sapiens ligados nas mídias sociais? Sei que nem todo mundo tem boa internet no mundo, mas isso vai mudar com o tempo.
Timothy Snyder, em seu excelente e didático "Sobre Tirania" (Companhia das Letras), chama-nos a atenção para o risco de abdicarmos da verdade, entre outras formas de risco da tirania dissolver a democracia. Jamais devemos abdicar de conhecer os fatos: "investigue", diz ele. Concordo.
Mas, em nosso mundo contemporâneo, "buscar os fatos" é, sempre, em si, um fato mediado. Isto é, temos de confiar em alguma instituição (ele também diz que devemos defender as instituições), seja ela o governo e seus Poderes da República, seja ela a mídia (as grandes marcas, quero dizer), seja ela uma ONG, uma igreja, ou qualquer outra instituição. E aqui o problema se recoloca. Por que devo confiar nas instituições que se oferecem como mediadoras da verdade ou dos fatos?
Grande parte dos agentes atuantes nas mídias sociais (nome chique para todo mundo ligado nelas) vê sua atuação como forma de "resistência" à manipulação dos "fatos" pela grande mídia ou pelas instituições públicas, ou, no mínimo, o que dá na mesma, como forma de "liberdade de opinião".
A grande mídia, por sua vez, coloca na conta das mídias sociais grande parte do problema conhecido como "pós-verdade": todo mundo pode veicular o que quiser em suas mídias sociais, mesmo mentiras.
Este é um círculo vicioso interminável que aponta, entre outras coisas, para o seguinte: as mídias sociais pressionam as instituições constituídas (do governo à grande mídia, das escolas às igrejas) de forma desconhecida até hoje.
A "soma total" desse impacto ainda é desconhecida por nós. Do ponto de vista da percepção que temos das instituições políticas representativas existentes, as mídias sociais podem, em alguma momento, desconstruí-las ou redefini-las de forma ainda desconhecida por nós. Portanto, o risco da tirania (dissolução da democracia) nesse aspecto de busca da verdade e defesa das instituições pode ser "pior" do que pensa Snyder.
Faça um teste local: caso Joesley x Temer. Delação, vídeos, entrevista na revista "Época", GloboNews (ambos veículos da TV Globo). O que você acha?
É tudo verdade o que diz Joesley? O Ministério Público e a Procuradoria-Geral da Republica agiram de forma imparcial? O grupo Globo só quer informar você da melhor forma possível? Ou todos citados anteriormente (por "n" razões que nunca saberemos de fato) querem proteger de alguma forma o PT e o Lula? Ou querem apenas "ferir" o governo Temer? Ou é apenas "melação com a delação"?
A súbita divulgação dos primeiros vídeos após depoimento do Lula foram coincidência ou visava levar a opinião pública a esquecer o "case Lula"? O fato de a JBS ter crescido tanto na era PT é indicativo de que esta hipótese tem validade? Crer nesta hipótese é paranoia, postura crítica ou viés ideológico anti-PT? O que diz o Face?

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O drama dos refugiados

Exercícios de geografia

🌎🌏 GEOGRAFIA +GEO 🌎🌍
MAIS DE 1⃣0⃣0⃣0⃣ EXERCÍCIOS 

001 - COORDENADAS, ESCALAS, MOVIMENTOS DA TERRA, FUSOS E PROJEÇÕES 💯
002 - AGRICULTURA E INDUSTRIA 💯
003 - COMÉRCIO, SERVIÇOS, TRANSPORTES, COMUNICAÇÕES, TURISMO 💯
004 - BLOCOS ECONÔMICOS, GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA 💯
005 - REGIONALIZAÇÃO DO BRASIL E DOMÍNIOS MORFOCLIMATICOS 💯
006 - POPULAÇÃO GERAL E DO BRASIL 💯
007 - URBANIZAÇÃO GERAL E DO BRASIL 💯
008 - ESTRUTURA GEOLOGICA, RELEVO E SOLOS 💯
009 - RECURSOS MINERAIS, POLUIÇÃO DAS ÁGUAS E ATMOSFÉRICA 💯
010 - ENERGIA GERAL E DO BRASIL E PROBLEMAS AMBIENTAIS 💯
011 - CLIMAS DO BRASIL E MUNDIAL 💯
012 - VEGETAÇÃO DO BRASIL E Mundial 💯
EM BREVE OS CADERNOS DE GEOPOLÍTICA





As conquistas da revolução russa (e por que ela degenerou)


clique aqui para ler



A importância histórica da Revolução Russa

100 anos de luta


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Mulheres ribeirinhas




Mulheres ribeirinhas artesãs geram renda com a floresta preservada

As mãos trançam fios de palha de Tucumã, palmeira típica do Pará, e dela surgem variadas peças de artesanato. A confecção é feita por mulheres de cinco comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, no município de Santarém, sudoeste paraense. Do conhecimento tradicional, surgem peças de variados tamanhos e cores. Tudo o que precisam para a confecção, é só buscar na floresta.
São cestas, mandalas, bolsas e vários outros produtos decorativos produzidos pelos coletivos de mulheres, tudo a partir de fibras vegetais.
 "Lá na comunidade tem matéria-prima. A gente tira tudo o que a gente precisa, sem ter que vir aqui em Santarém e comprar. É um trabalho que você gera renda e ajuda na renda da família". 
Antes de fazer o trançado das fibras, é necessário colher os materiais e, para isso, segundo Rosângela Tapajós, é retirada uma nova folha do Tucumã, palmeira típica da região. Removidos os espinhos, a folha é colocada para secar ao sol.
Para dar cor e vida às peças, as fibras de palha passam por um processo de pigmentação natural. A coordenadora ainda explica que para obter a cor vermelha as mulheres utilizam o cipó de uma árvore chamada Crajiru, muito usada para fazer chá e combater a anemia. Já o pigmento amarelo é extraído da raiz da Mangarataia Amarela, também conhecido como Cúrcuma ou Açafrão.
Depois de colhidas, as folhas ou raízes são raladas, piladas e postas em água quente para fervura, e lá adicionadas às fibras de palha. No entanto, antes de chegar a esta etapa, todo esse conhecimento ancestral quase se perdeu.

O artesanato possibilitou às artesãs continuarem vivendo em suas comunidades / Luca Vittorio
Retirada de uma folha da palmeira de Tucumã / Crédito: Luca Vittorio

Mapa produzido pela Turiarte


 Clique aqui matéria original

Dossiê África


Conferência dos Geógrafos Latino Americanistas

Data: 05 a 11 de janeiro de 2014 (apresentações nos dias 07 e 08)
Lugar: Cidade do Panamá, Panamá
Envio de trabalhos: até 31 de outubro de 2013

Maiores informações na página na internet:
http://clagpanama2014.tamu.edu/call-for-papers
http://clagpanama2014.tamu.edu/